O fim da Moratória da Soja não encerra o desmatamento zero

Há um equívoco recorrente em tratar a Moratória como um obstáculo ao desenvolvimento ou à soberania regulatória nacional

Por Bernado Pires, GLOBO RURAL.


Por duas décadas a Moratória da Soja foi um dos mais bem-sucedidos instrumentos de controle do desmatamento associado a commodities agrícolas no mundo. Criada em 2006 e fortalecida ao longo dos anos, ela contribuiu de forma decisiva para dissociar a expansão da soja na Amazônia do avanço do desmatamento, combinando monitoramento de alta precisão por satélites, aplicação de critérios claros e responsabilização ao longo da cadeia.

Os resultados são amplamente documentados pelo governo, usando o pacto como ferramenta de política pública no Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, por diversos estudos acadêmicos, avaliações independentes e pelo próprio mercado: enquanto a produção de soja cresceu de forma significativa no país, o desmatamento associado diretamente à cultura permaneceu residual na Amazônia. Poucos acordos setoriais globais alcançaram esse nível de efetividade, longevidade e reconhecimento internacional.

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *