Seguir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático é a premissa básica; contudo, a verdadeira proteção do capital ocorre no alinhamento fino entre a janela exata e a semente certa
Por Rodrigo Roman, GLOBO RURAL.
O agronegócio frequentemente simplifica o fator climático ao analisá-lo apenas por meio de extremos: sob a lógica de que “vai chover no Sul e secar no Norte e Nordeste”. No campo, porém, o microclima regional e o respeito estrito às janelas de plantio determinam o resultado do produtor rural.
Diante do cenário de 2026/2027, em que o El Niño apresenta probabilidade de continuidade superior a 90% até o início de 2027 — com chances elevadas de alta intensidade —, olhar apenas para as médias regionais e ignorar a volatilidade compromete a rentabilidade da safra.
O desafio não se resume à ocorrência de estiagem ou chuva excessiva. No Sul, o excesso de chuvas satura os solos e limita a radiação solar; no Centro-Oeste e no Matopiba, a irregularidade no início das precipitações e o risco da ocorrência da “chuva para enganar” (chuvas isoladas seguidas de veranicos em outubro e novembro) exigem cautela.