Agro brasileiro avança como peça-chave da transição energética e amplia acesso à inovação

Na Agrishow, Faesp destaca o papel do setor na produção sustentável e aposta em inclusão e tecnologia para reduzir desigualdades no campo

TOPO

Por FAESP, SENAR SP e Sindicatos Rurais

Iniciativas buscam aproximar  inovação do campo e ampliar  o acesso a ferramentas  digitais no setor produtivo
Iniciativas buscam aproximar inovação do campo e ampliar o acesso a ferramentas digitais no setor produtivo — Foto: Getty Images

Entre a demanda por abastecimento alimentar e a descarbonização, o agronegócio brasileiro amplia seu campo de atuação. Tradicionalmente associado à produção no campo, o setor ganha relevância também na frente energética, apoiado por uma trajetória de inovação e pela adoção crescente de práticas regenerativas.

O Brasil reúne condições para avançar em modelos produtivos de baixo carbono. Essa característica, construída ao longo de décadas, tem reposicionado o país em discussões internacionais sobre clima, energia e produção.

“A nossa matriz energética é mais de 50% renovável, enquanto no mundo esse número gira em torno de 13%. Isso mostra que o que estamos fazendo aqui é estruturante para uma produção sustentável”, afirma o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles.

A atuação da entidade ganha relevância nesse processo. Durante a Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto (SP), a entidade apresentou iniciativas voltadas a aproximar avanço e base produtiva, em um esforço para ampliar a competitividade e reduzir assimetrias no acesso à ferramentas digitais.

Energia e competitividade

Ao longo dos últimos 50 anos, o agro passou por uma transformação significativa. A produção saltou de cerca de 36 milhões para quase 350 milhões de toneladas, resultado menos da expansão de área e mais dos ganhos de produtividade. A incorporação de soluções modernas, o avanço da pesquisa agropecuária e a adaptação de cultivos às condições tropicais foram determinantes nesse processo.

Dentro dessa agenda, a bioenergia ocupa papel estratégico. Um dos destaques apresentados pela Faesp durante o evento foi o Centro de Excelência da Cana-de-Açúcar e Bioenergia, em Ribeirão Preto. A proposta é integrar pesquisa aplicada, formação técnica e demandas do produtor rural, reduzindo a distância entre o desenvolvimento e sua adoção no campo.

A iniciativa se soma a outros projetos voltados à qualificação profissional e ao uso de novas tecnologias, em um momento em que o segmento passa por mudanças estruturais e demanda mão de obra mais preparada. Ainda assim, a disseminação dessas inovações não ocorre de maneira homogênea.

“O Brasil é empreendedor. Nós já tivemos experiências com biodiesel, carros elétricos, mas o grande marco foi o proálcool. Foi um programa espetacular, não só para o Brasil, mas para o mundo. Nós temos mais de 50 anos de estudo do etanol”, lembra o executivo.

Tirso Meirelles,  presidente da  Federação da  Agricultura e  Pecuária do Estado  de São Paulo (Faesp) — Foto: Divulgação
Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) — Foto: Divulgação

Inclusão e renovação no agro

A conectividade permanece como um dos principais gargalos no campo. Sem acesso adequado à internet e à infraestrutura digital, empreendedores enfrentam dificuldades para incorporar ferramentas de gestão, monitoramento e automação, o que limita ganhos de eficiência e competitividade. A desigualdade no acesso aos recursos de ponta tende, nesse contexto, a reproduzir diferenças históricas.

Na tentativa de reduzir essas distâncias, a federação levou cerca de 10 mil pequenos e médios agricultores ao evento, por meio de 150 caravanas organizadas em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). A iniciativa busca ampliar o contato direto com soluções tecnológicas e modelos de gestão, permitindo que famílias do campo tenham acesso a informações que impactam seus resultados e renda, aproximando inovação e base produtiva especialmente em um momento em que o setor passa por uma reorganização estrutural.

A formação de novas gerações também aparece como eixo estratégico. Durante o evento, 650 jovens participaram de ações voltadas à capacitação e ao estímulo ao empreendedorismo no campo. Em uma atividade que enfrenta desafios relacionados à sucessão familiar, esse tipo de ação é visto como fundamental para reduzir barreiras históricas e permitir que produtores de menor porte tenham contato direto com soluções que podem impactar sua gestão.

Outro movimento que ganha força é a ampliação da presença feminina no agronegócio. O programa Semeadoras do Agro reuniu 600 mulheres no evento, com atividades voltadas ao empreendedorismo, à gestão e à saúde. A crescente participação feminina reflete mudanças na estrutura das propriedades rurais, com maior diversidade nos processos de decisão.

Ao integrar essas propostas à programação da feira, a federação reforça que o crescimento do agro depende não apenas de máquinas, mas da inclusão e da capacitação de quem está no campo. Diante das crescentes exigências globais por descarbonização, esse avanço passa necessariamente pela valorização do capital humano e pela conectividade efetiva. “Não adianta ter tecnologia se ela não chega ao campo. A conectividade precisa estar na área produtiva, não só na sede da propriedade”, resume Meirelles.

Essa visão consolida a Agrishow 2026 como um elo estratégico entre pesquisa, mercado e produção. Ao reunir esses diferentes agentes, o Brasil se posiciona como fornecedor global de alimentos e protagonista em soluções energéticas de base renovável.

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