Levantamento do Itaú BBA identificou R$ 94,7 milhões em investimentos em startups do setor no período
Por Marcos Fantin, GLOBO RURAL.
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As agtechs brasileiras captaram R$ 94,7 milhões em investimentos no primeiro semestre de 2026, distribuídos em oito operações, segundo levantamento do Itaú BBA obtido pelo Valor. O número é 79% inferior ao do mesmo período de 2025, quando foram investidos R$ 450 milhões em 17 transações registradas.
A queda foi potencializada por uma base de comparação elevada, já que, no primeiro semestre de 2025, houve uma rodada de captação da Solinftec, empresa de inteligência artificial e robótica aplicada à agricultura, que movimentou, sozinha, R$ 300 milhões, segundo o Itaú BBA. Se esse investimento for desconsiderado da comparação, a queda no valor dos investimentos teria sido menor, de 37%.
Do total negociado no primeiro semestre, 92% das movimentações envolveram startups posicionadas “antes da porteira”, definição de negócios que antecedem a produção agropecuária — como sementes e biológicos — , ou “dentro da porteira”, que contemplam atividades na fazenda como plantio, manejo de pragas e colheita.
Os destaques “antes da porteira” foram as agfintechs, startups que dão acesso a crédito e fazem gestão financeira das fazendas, afirma Matheus Borella, líder em estratégia e inovação de agronegócio do Itaú BBA. Já “dentro da porteira”, os investimentos se concentraram em negócios dedicados à gestão da propriedade, telemetria e automação.
As agtechs que receberam investimentos no primeiro semestre de 2026 foram Agrorobótica, BemAgro e Sensix, que atuam com agricultura de precisão e análise de dados; Culttivo e Nagro, de crédito rural; Agrosys e erural, voltadas para gestão e comercialização; e a TRAG, especializada em seguro rural e gestão de riscos climáticos.
Segundo Borella, os juros altos e a aversão ao risco dos investidores têm repelido aportes maiores. Porém, ainda assim, “há dinheiro na mesa”, afirma.
A prioridade dos negócios voltados para o agro tem sido a redução de custos, observa o executivo. “O produtor rural sempre tratou isso como prioridade, porque o setor é volátil demais. Porém, com as margens mais apertadas do que nunca, hoje é a prioridade número um”, acrescenta.
Apesar da queda nos investimentos no primeiro semestre, Borella avalia que o resultado não é uma notícia ruim, e aponta para uma mudança do perfil dos investidores, que se tornaram mais “conscientes e seletivos”. Além disso, ele ressaltou que o agronegócio é cíclico. “É um mercado sazonal, ora sobe, ora desce”.
Na avaliação do Itaú BBA, diante dessa seletividade, há preferência por teses que combinam três características: eficiência operacional, geração de valor e capacidade de escala.