Renegociação de dívida rural começa a ganhar tração, diz Banco do Brasil

Até agora, foram renegociados R$ 3,3 bilhões e outros R$ 6,5 bilhões estão na esteira para aprovação com a documentação já analisada

Por Rafael Walendorff, GLOBO RURAL.

Bittencourt, do BB, espera estabilização da inadimplência neste trimestre
Bittencourt, do BB, espera estabilização da inadimplência neste trimestre — Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Após um início de contratações com ritmo mais lento, a renegociação de dívidas rurais por meio das linhas criadas pela Medida Provisória 1.376/20226 no Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio brasileiro, começou a ganhar tração em outubro. Até agora, foram renegociados R$ 3,3 bilhões e outros R$ 6,5 bilhões estão na esteira para aprovação com a documentação já analisada em quase 6,3 mil operações, principalmente de grandes produtores.

Há ainda outros R$ 6,1 bilhões de propostas iniciais que já chegaram às agências, somando R$ 15,9 bilhões e 13 mil operações com algum tipo de análise e que poderão ser renegociados. A expectativa do BB é repactuar mais de R$ 20 bilhões em dívidas até 12 de novembro, data final para contratação.

Mesmo assim, a MP 1.376/2026 não deverá mudar o cenário de inadimplência do agronegócio do BB no curto prazo, disse o vice-presidente de Agronegócios e Agricultar Familiar, Gilson Bittencourt. No fim do primeiro semestre, 6,27% da carteira do setor na instituição, de R$ 421,5 bilhões, estava com atrasos acima de 90 dias, cerca de R$ 26,4 bilhões. Ele espera uma estabilização do percentual no quarto trimestre, seguida de um período de queda paulatina.

“A pressão continua alta. Os inadimplentes vieram [para a renegociação] em um patamar menor do que os adimplentes com carteira prorrogada”, disse Bittencourt em conversa com a imprensa. “Mas ainda vai continuar mais num patamar alto até a gente buscar uma estabilidade para o ano que vem”.

Ele ressaltou que a inadimplência pesa para o BB, pois o agronegócio representa um terço da carteira total do banco, mas que o índice está menor que a média do mercado que, segundo o Banco Central, chegou a 9,7% entre as pessoas físicas.

Bittencourt afirmou que o banco vai usar o saldo de R$ 12,4 bilhões em operações equalizadas para renegociar e usará recursos dos depósitos à vista, da poupança rural e livres para a composição dos débitos. “Estamos com muita tração, são cerca de R$ 500 milhões entrando por dia”, disse.

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