Em um cenário de aperto financeiro, produtores recorrem cada vez mais à prática de “salvar” o insumo como forma de reduzir custos
Por Danton Boatini Júnior e Carolina Mainardes, GLOBO RURAL.
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Em um momento de aperto financeiro e restrições de crédito no campo, a indústria de sementes enfrenta o desafio do crescimento da área de soja não certificada que se intensificou nos últimos anos. Com margens pressionadas e dificuldade para escoar toda a produção, empresas do segmento traçam estratégias para atravessar um período de ajustes no mercado.
Segundo a CropLife Brasil, entidade que representa a indústria de insumos, a adoção de sementes de soja não certificadas triplicou no país nas últimas quatro safras, passando de 3,1 milhões de hectares na safra 2021/22 para 9,6 milhões de hectares no ciclo 2025/26. O número representa 20% da área total cultivada no último ciclo, que foi de 48,6 milhões de hectares.
Uma parte dessa área é semeada com sementes “salvas” — quando o produtor reserva o grão, a partir de sua colheita, para ser utilizado apenas como semente no plantio da safra seguinte, com autorização do Ministério da Agricultura — e outra com sementes piratas.
Os representantes da indústria atribuem o avanço da área não certificada à pressão financeira sobre o produtor e concordam que a semente salva é uma prerrogativa legal — desde que não seja vendida a terceiros. Porém afirmam que a compra de sementes certificadas ajuda a financiar a inovação que levou o país a aumentar sua produtividade nos últimos anos.