Cenário do setor foi um dos temas do “Vozes do Agro” que reuniu executivos e produtores rurais para discutir os desafios do setor no país
Por Raphael Salomão, GLOBO RURAL.
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O Brasil deve aumentar ainda mais sua dependência de fertilizantes importados neste ano. E a aplicação de alguns desses insumos deve diminuir no campo, com impacto na produtividade da soja. A afirmação foi feita ontem pelo country manager da Mosaic no Brasil, Eduardo Monteiro, durante o “Vozes do Agro”, evento realizado pela Globo Rural e pelo Valor, em São Paulo, para discutir os principais desafios do setor.
“O Brasil, até o ano passado, importava 85% do que consumia em fertilizantes. Este ano, essa dependência vai aumentar”, disse o executivo. A explicação para esse cenário está na geopolítica, com duas guerras em regiões fornecedoras de insumos para fertilizantes em andamento, na Ucrânia e no Oriente Médio.
Monteiro disse que a situação mais crítica é a dos fosfatados. O custo elevado do enxofre está prejudicando de 30% a 40% da produção mundial de fósforo. No Brasil, a importação de enxofre neste ano deve cair 50%, afirmou. É um indicativo de que a produção de fósforo deve ter uma queda ainda maior, já que o enxofre é usado na extração do fósforo das rochas fosfáticas.
“Nosso custo de produção é muito oneroso e a indústria se viu inviabilizada de continuar sua produção”, lamentou Monteiro. Ele lembrou que essa era a matéria-prima da qual o Brasil menos dependia de importações até antes do início da guerra no Irã, no fim de fevereiro deste ano, que levou ao fechamento do estreito de Ormuz, com reflexos no fluxo comercial.