Entidades que representam produtores defendem uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal; MP 1.376/2026 ainda não teve o efeito esperado pelo setor
Por Rafael Walendorff, GLOBO RURAL.
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A busca por uma solução para o endividamento crescente do setor agropecuário deverá estar na mesa do próximo presidente da República. O campo enfrenta índices de inadimplência recorde, de 9,7% entre pessoas físicas, saldo problemático da carteira de crédito rural acima de R$ 205 bilhões nos bancos e valores incertos de dívidas privadas no mercado. Os programas de governo dos dois candidatos tratam o tema de formas distintas, mas não apontam uma saída clara para o problema.
O cenário preocupa lideranças, parlamentares e o sistema financeiro. Ainda não há reflexos diretos do endividamento na safra de grãos 2026/27, cuja previsão é de colheita recorde de 367,1 milhões de toneladas, mas o acesso às linhas de crédito rural e a Cédulas de Produto Rural (CPR) caiu quase 30% neste início de temporada.
Apoiado por produtores e pela bancada ruralista, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá o desafio, se eleito, de equilibrar a construção de uma medida robusta e seu compromisso de promover um ajuste fiscal no país a partir de 2027. Seu programa de governo fala em “reorganizar as dívidas dos produtores rurais por meio da securitização”, sem detalhes.
Uma das apostas do setor é no andamento do projeto de lei 5.122/2023, aprovado no Senado em junho e engavetado depois na Câmara dos Deputados, ou na elaboração de medida semelhante. A proposta permite o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e outros fundos para uma ampla renegociação de dívidas rurais.