Demanda por fertilizantes deve despencar neste ano

Novas estimativas no mercado apontam recuo entre 10% e 16% em relação ao volume de 49 milhões de toneladas de 2025

Por Danton Boatini Júnior, GLOBO RURAL.

Estimativas no mercado indicam que demanda por fertilizantes pode voltar aos níveis de 2022
Estimativas no mercado indicam que demanda por fertilizantes pode voltar aos níveis de 2022 — Foto: Sérgio Ranalli

Sem sinais no horizonte que apontem para o fim da guerra no Oriente Médio e com produtores rurais enfrentando restrição de crédito, a crise na indústria de fertilizantes se agrava no Brasil. Além da alta dos insumos, como o enxofre, o setor enfrenta queda na demanda, que poderá ser ainda menor do que se imaginava nos meses seguintes ao início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Após o recorde do ano passado, quando o consumo no país somou 49,1 milhões de toneladas, estimativas no mercado indicam que o volume pode voltar aos níveis de 2022. No início daquele ano, a Rússia atacou a Ucrânia — ambas produtoras de fertilizantes —, e a demanda ficou em 41 milhões de toneladas. A nova projeção reflete o adiamento de compras e a redução da adubação nas lavouras em meio aos custos altos e crédito restrito.

Em agosto, a projeção estava em cerca de 45 milhões de toneladas, segundo a consultoria Argus. “No entanto, a ausência de demanda de última hora para o plantio da safra de soja 2026/27 e o ritmo das importações de fertilizantes nitrogenados levaram participantes a revisar as estimativas”, afirma Renata Cardarelli, responsável por precificação de agricultura e fertilizantes da Argus.

Em julho, cinco meses após o início do conflito no Oriente Médio, o mercado estava menos pessimista e projetava uma queda de 10%, conforme reportagem publicada pelo Valor na época.

De lá para cá, além da “destruição” da demanda, houve uma paralisação temporária ou fechamento de fábricas no Brasil devido à escassez de enxofre no mercado, o que contribuiu para reduzir a oferta de fosfatados. “Quando somamos tudo isso, faz sentido pensar que realmente vai ser um consumo total abaixo de 42 milhões de toneladas”, diz Ana Lígia Lenat, coordenadora de inteligência e projetos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

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